Serjão "bão do zóio", pessoal levantou cedo e começamos a jornada antes das 8h nesse dia, pois estávamos no mínimo um dia inteiro atrasados nesse retorno. A meta desse dia era ousada, tentaríamos chegar em Foz do Iguaçu, perfazendo supostos 1200km em um único dia. Caraca.... Continuando a viagem pela RN16, já desde cedo estávamos espantando todas as aves de seu descanso matinal no asfalto da estrada. Primeira parada para abastecimento a 150km de Taco Pozo, tinha gasolina e já tínhamos notícias de que dali pra frente a coisa já estava normalizada. Menos uma preocupação...
Pouco mais adiante, coisa de uns 50km, seguia o Giácomo na frente, eu logo na seqüência e o resto da turma seguindo. A Policia Caminera nos pára. Pronto, logo atrás ultrapassamos uma picape velha que nos deu passagem, indo para o acostamento, mas a faixa era contínua. "Lá vem bronca $$$", pensei. O policial foi direto no Gigi, parei mais à frente, o outro policial (eram dois) parou o Sérgio e o Tulião e o Álvaro encostaram também mais à frente. Pedem documentação, tudo certo, na cara dura o "seu puliça" chega pro Sérgio e fala que eles queriam uma colaboração de todos para que pudéssemos continuar a ter uma boa viagem. Haja Jimo cupim, hein seu guarda! Já tinha lido a respeito das propinas (em itálico, pois em espanhol propina significa gorjeta, para nós é suborno mesmo) para a turma da Policia Caminera, cujo valor padrão é de 25 a 30 pesos. Não tive dúvida, pessoal, cada um dá 5 pesos e tá loco de bom. Entregamos as notas num bolinho pro policial, este nos cumprimentou e seguimos em frente. Não poderíamos passar toda a viagem sem uma dessa né... pelo menos a mordida foi bem leve.
Pouco mais adiante, coisa de uns 50km, seguia o Giácomo na frente, eu logo na seqüência e o resto da turma seguindo. A Policia Caminera nos pára. Pronto, logo atrás ultrapassamos uma picape velha que nos deu passagem, indo para o acostamento, mas a faixa era contínua. "Lá vem bronca $$$", pensei. O policial foi direto no Gigi, parei mais à frente, o outro policial (eram dois) parou o Sérgio e o Tulião e o Álvaro encostaram também mais à frente. Pedem documentação, tudo certo, na cara dura o "seu puliça" chega pro Sérgio e fala que eles queriam uma colaboração de todos para que pudéssemos continuar a ter uma boa viagem. Haja Jimo cupim, hein seu guarda! Já tinha lido a respeito das propinas (em itálico, pois em espanhol propina significa gorjeta, para nós é suborno mesmo) para a turma da Policia Caminera, cujo valor padrão é de 25 a 30 pesos. Não tive dúvida, pessoal, cada um dá 5 pesos e tá loco de bom. Entregamos as notas num bolinho pro policial, este nos cumprimentou e seguimos em frente. Não poderíamos passar toda a viagem sem uma dessa né... pelo menos a mordida foi bem leve.
Lá pelas 13h chegamos em Resistência, almoçamos um sanduba de posto de gasolina, depois passamos por Corrientes, com uma longa ponte pênsil sobre o Rio Paraná (ah, meu PARANÃ!!), a famosa ponte General Belgrano.
Atravessamos a cidade e seguimos adiante, em direção à Posadas. Chegamos nessa cidade já de noite, GPS do Álvaro se perdeu e nos levou até a fronteira com o Paraguai. Algumas voltas depois, já estávamos no caminho certo, em direção à Porto Iguazu, pela RN-12. Nossa meta era tentar chegar em Foz do Iguaçu, onde nosso amigo Tarik nos aguardava. Mas não deu, ainda tinha mais de 200km, mais de 22h, todos cansados e com reflexos prejudicados. Paramos em Jardim America, onde pernoitamos. Nesse 1° de abril, apesar de não conseguir chegar em Foz do Iguaçu, foi uma bela pernada de 935km aproximadamente.
Sábado, 2 de abril, noite pessimamente dormida, no meu caso, melhor dizer que às claras. Levanto cedo, arrumo tudo e espero a turma se mexer. Reconheço que tenho problemas com ansiedade. Mas fiquei no mínimo umas 2 horas com tudo pronto esperando o pessoal se aprontar. Tinha que trabalhar segunda-feira, já era sábado, nem no Brasil tínhamos chegado e ainda tinha a jornada pra chegar em Florianópolis, com a BR-376 e parte da 101 todas esculhambadas pela chuvarada de março. Quer dizer, no mínimo uns 1200km pra chegar em casa. Estava fritando, uma pilha desgraçada. Queria ser como o Tulião, bem mais cuca fresca.
Lá pelas 9h30, fomos pra estrada. RN-12, rodovia boa, pedagiada, pista simples, poucas curvas, temperatura agradável e tempo bom. Tudo pra dar certo, tudo pra poder chegar em Curitiba ainda no sábado, que beleza. Afinal pro Brasil faltavam 200km apenas.
O Giácomo some do retrovisor. Paro no acostamento, chega o Tulião e encosta também. O Sérgio e o Álvaro já deviam estar na aduana, pois até parar andei uns 5 minutos a 70 por hora pra ver se o Gigi chegava. Não chegou. Volta eu e o Tulio. 1, 2, 5, 7, 10 km e lá estava o Gigi no acostamento, de um lado pro outro, ferramenta pra tudo que é lado, vela fora do motor. "Motor saiu do ponto...". Tentamos empurrar, mas dar tranco numa 600cc mono-caneco, meu amigo, é pedir pra derrubar tudo. Melhor chamar o guincho, afinal essa estrada é pedagiada. Fui até o pedágio seguinte, 25km de onde a Nêga tinha pifado. Mandaram uma picape nos socorrer. O Giácomo que me perdoe, mas aqui vão as imagens. Não se preocupe Gigi, mais abaixo, também terá o gostinho de tirar um sarro.
O Giácomo some do retrovisor. Paro no acostamento, chega o Tulião e encosta também. O Sérgio e o Álvaro já deviam estar na aduana, pois até parar andei uns 5 minutos a 70 por hora pra ver se o Gigi chegava. Não chegou. Volta eu e o Tulio. 1, 2, 5, 7, 10 km e lá estava o Gigi no acostamento, de um lado pro outro, ferramenta pra tudo que é lado, vela fora do motor. "Motor saiu do ponto...". Tentamos empurrar, mas dar tranco numa 600cc mono-caneco, meu amigo, é pedir pra derrubar tudo. Melhor chamar o guincho, afinal essa estrada é pedagiada. Fui até o pedágio seguinte, 25km de onde a Nêga tinha pifado. Mandaram uma picape nos socorrer. O Giácomo que me perdoe, mas aqui vão as imagens. Não se preocupe Gigi, mais abaixo, também terá o gostinho de tirar um sarro.
O Álvaro tirou todas as fotos e deu uma baita força na hora de imobilizar a Nêga. Não fosse ele, não teríamos conseguido erguer a bigorna na picapinha do pedágio. Troféu Hércules da Viagem pra ele.
O socorro nos levou até um posto de gasolina em Eldorado, onde ficamos um tempão até conseguir um transporte até a fronteira. Mais um almoço-lanche na conta. Pergunta aqui, pergunta ali, passa caminhão com placa do Brasil, corre perguntar, ninguém podia, ninguém queria nos socorrer. Ficamos sabendo também que era feriado na Argentina, por conta disso, todo mundo estava entretido num enduro no meio do mato, inclusive quase todas as picapes de frete da região. Nos falaram que era mais fácil ir até Eldorado para encontrar um frete. Fomos eu e o Tulio pra lá. Entrando em Eldorado, sinto um cheiro de gasolina vindo debaixo da Angélica. Ah, não, de novo não, só me faltava essa! O remendo do tanque arrebentou de novo e agora estava pingando mais que nunca! Volto pro posto de gasolina decidido a chamar o seguro e com isso resolvia dois problemas de uma vez. O cara que ia levar a Angélica pro Brasil, levaria a Nêga também e fim de papo. Ligo pro seguro (Banco do Brasil) e aí fico sabendo que meu plano contempla apenas 100km de guincho. Que beleza! 15 minutos de ligação internacional (90 reais na conta), a atendente querendo tudo que é referência pra variar. Sem previsão de chegada, iam me ligar para dar uma previsão. Que desgraça!!
Aí chega o Tulião acompanhado de uma picape e dois caras junto. Tulião abençoado conseguiu transporte até a fronteira! Beleza! Vamos até a empresa onde os rapazes trabalham, pois teríamos que aguardar até as 16h pra eles encerrarem o expediente do dia e nos levar até Porto Iguazu. Em troca, só nos pediram o diesel de ida e volta. Tá vendo! Não fosse nossos irmãos argentinos de Eldorado, ficaríamos nas mãos do meu glorioso seguro de 100km de guincho do Banco do Brasil. Resolvi arriscar e fui com a Angélica mijando gasolina até o barracão da empresa dos caras, uma indústria de pneumáticos. Eram 14h àquela altura. Resolvi tentar mais um remendo de silicone naquela tranqueira de tanque plástico. Tinha 2 horas para a borracha secar, quer saber, vou cancelar o socorro do seguro.
Os argentinos, muito solícitos, ainda me ajudaram com a Angélica, arranjaram um galão, esgotei a gasolina, fechei a torneira, esvaziei o carbura e mais uma vez, deitei a Angel em berço esplêndido para fazer mais uma gambiarra, que me permitisse chegar pelo menos em Foz do Iguaçu. Aí, Giácomo:
Já passando das 16h, nossos hermanos nos chamam para seguir até a fronteira. Deixamos no posto de combustível quase em frente um crédito de 300 pesos (100 pela ida, 100 pela volta e mais 100 como agradecimento pela ajuda e pela bagunça que eu fiz na frente da empresa).
Final da tarde, chegamos na fronteira. Um sincero obrigado aos nossos amigos argentinos, que deram um banho de boa vontade. Passamos as alfândegas argentinas empurrando a Nêga combalida. Na sanha consumista, o Álvaro e o Sérgio ainda passam no Duty Free. Ligamos para o Tarik, outro que foi uma mãe para nós e ele chega já com um caminhão de frete para levar a Nêga até sua residência, em Foz do Iguaçu. Km do dia: não mais que 200.
O Tarik nos recebeu em sua casa e jantamos pizzas saborosas. Detonamos o estoque de cerveja dele, até um barril da Heineken foi pra fita. Tarik, te devemos algumas!
Não é preciso dizer que aquele remendo no tanque da Angélica, feito em Eldorado, arrebentou de novo, dissolveu até a silver-tape-preta que o Sérgio me emprestou. Antes de ir ao barril de cerveja, fui com o Álvaro até a garagem e mais uma vez, deitei a Angélica e entupi de silicone onde vazava gasolina, tinha a madrugada inteira pra secar a borracha, então quanto a isso não mais me preocupei, se estourar de novo, se pegar fogo nessa bosta, pelo menos tô no Brasil e tô em casa. Serviço feito.
Domingo, 3 de abril, o Gigi deu baixa na etapa final da viagem. O Álvaro queria porque queria ir às compras no Paraguai, eu já batendo pino pra chegar em Curitiba. Saímos eu, o Tulio e o Sérgio às 9h30 de Foz do Iguaçu e chegamos em Curitiba, no posto BR do Viaduto da Orleans, as 19h30, contando com todas as paradas para abastecer, comer e colocar a roupa de chuva pela segunda vez em toda a viagem, em São Luiz do Purunã, 10 horas para cobrir os 637km não foi nada mal. Cerveja para comemorar a chegada, ligo pro Álvaro pra saber por onde anda e ele já entrando em casa! Foi no Paraguai, pegou a estrada às 11h30 e mesmo assim, chegou antes que nós. Não lembro de ter visto uma V-strom laranja nos ultrapassar na estrada. Deve ter sido o cansaço.
Missão dada é missão cumprida, viagem concluída, sonho realizado, aproximadamente 8400km percorridos. Todos de parabéns pelo sucesso da viagem. Sim, o Gigi e sua Nêga também, afinal, foram até onde era necessário ir. Pifasse um pouco antes e queria ver como faríamos para chegar na fronteira. Só por Deus mesmo.
Fecho o portão da garagem. Sinto um cheiro de gasolina. Estourou o remendo e agora não pingava. Escorria um fio de combustível. Agora não importa mais. Cheguei em casa e tudo que eu quero é descansar. Só do cansaço físico dessa incrível jornada. Do resto só não quero esquecer nenhum detalhe.
Mas que mania de colocar a culpa no meu GPS, coitado. Ele nos levou para o caminho mais curto, como deveria, só isso. O detalhe é que o caminho mais curto passava pelo Paraguai, hehe.
ResponderExcluirE parabéns pelo blog! Está Excelente!
tks!
ResponderExcluiragora, com a palavra, meus amigos...
Comentário sobre a foto cuja legenda diz que a moto até afundou a traseira da picape, notem que o peso do Polarinha está contribuindo de forma determinante!!! hehe
ResponderExcluirNeto que engordou na viagem:
ResponderExcluirobserve bem que estou do lado esquerdo me apoiando no rodado e a moto afundou a traseira do lado direito.
Ass. Polara Enxutão