A bruxa andou solta durante nossa estadia em Santiago. Na verdade ela começou a se apresentar um pouco antes, em terras argentinas, mas foi em Santiago que ela desceu da vassoura voadora e veio nos assombrar.
A primeira manifestação da bruxa foi na Nêga do Giácomo e no próprio. O amortecedor traseiro da Nêga abriu o bico, arrebentou o retentor e todo o fluido vazou. A roda traseira da Nêga pulava mais que sandália de sambista no carnaval carioca, exigindo do Giácomo uma pilotagem bem mais careta, todo quadradão nas curvas.
Não tendo outra forma, a Nêga foi levada para uma oficina da Honda (um sacrilégio para os Xistêzeiros da Yamaha), a Colvin & Colvin, na Avenida Las Condes, uma bela região de Santiago. Lá ficou internada por uns 4 dias, consertando o amortivador. Gambiarra em terra brasilis descoberta...
Depois, o Giácomo, abalado psicologicamente, no bolso principalmente, também ficou ruim do "retentor". Quase o deixamos instalado em uma praça, como chafariz adicional. Tivemos que recorrer a um farmacêutico para nos indicar uns remedinhos para resolver essa "vertente aquosa" do nosso amigo. Ficou bom quase que simultaneamente à Nêga.
O Sérgio também foi afetado pela bruxa. Teve que, de última hora, pegar um avião para retornar ao Brasil para resolver assuntos acadêmicos, que ele não imaginava ser necessário, visto que já havia deixado procurações com seu irmão em Curitiba (e ele usa isso como justificativa para o pequeno atraso de 3 horas na partida, nós acreditamos sim...). Porém não teve jeito, a burocracia brasileira foi mais forte e nosso amigo teve que, às pressas, embarcar na quarta-feira, 23 de março, e retornar na sexta. Pronto... os planejados 2 dias em Santiago se transformaram em uma semana inteira... E ainda tínhamos a meta de conhecer o litoral (Valparaiso e Viña del Mar) e o Atacama.
Não contente, a bruxa atacou em mais uma frente. A Angélica também foi acometida de problemas de vazamento. Ainda no Brasil, seu super-tanque de plástico de 22 litros mega-power plus teve uma pequena rachadura no entorno de um parafuso de fixação. Começou babando gasolina, foi aumentando, aumentando, até que pingava combustível bem em cima das curvas da descarga, não por acaso, o lugar mais quente possível em uma moto.
Segundo conserto já feito, mas ainda vazando gasolina sobre as curvas mais quentes que uma moto pode ter Prevenidos, levamos em nossos kits de sobrevivência uma bisnaga de borracha de silicone, que foi a salvação temporária deste escriba e sua incontinente Angélica. Até a chegada em Santiago, já haviam sido feitos 2 remendos, que arrebentavam durante a viagem, pois o silicone não conseguia secar e endurecer em contato com a gasolina.
Aproveitando a primeira noite em Santiago, lá foi este que vos escreve à garagem, bem cedo com de costume, fazer um reparo definitivo. Previamente, deixei o tanque esvaziar na chegada em Santiago, não fazendo um abastecimento com a turma antes de adentrar a capital, para facilitar o reparo. No estacionamento, muito gentilmente deitei a Angélica no chão, para o lado esquerdo, assim toda a gasolina iria para o lado oposto do vazamento e a borracha de silicone poderia, enfim, secar e completar a cura, resolvendo o problema. Dito e feito, na hora do almoço, levantei a guerreira e o vazamento estava resolvido. Beleza! Beleza?? Beleza nada!! A torneira de gasolina ficou aberta (mais uma lição aprendida) e o motor foi inundado pelo combustível, misturando o óleo do motor com gasolina. A Angélica não pegava de jeito nenhum, estava mortinha, mortinha. Afogou, pensamos. Tiramos a vela, dá a partida, faiscou, beleza, elétrica tá ok, abre o parafuso do fundo do carbura, beleza, gasolina tá passando, então botamos fogo na vela para secar, colocamos novamente e a Angélica acorda, mas daquele jeito, meio 2 tempos, meio motoca velha. Fomos às lojas de motos da cidade e compramos uma bujia (a vela de ignição) nova. Vela colocada, a Angélica funciona, ronca forte e sobe o giro com vontade. Legal. Na quarta à noite, a idéia era visitar um amigo do Tulio em uma cidade a 100km de Santiago. Saindo da garagem, tudo certo, no primeiro semáforo, a Angélica começa a falhar muito, sem força nenhuma, olho pra trás, uma nuvem de fumaça! PQP!! Fundi o motor!!!
Não foi tanto, bastou trocar o óleo, filtro e uma boa regulada no carburador e pronto, estava zerada novamente e apta ao Atacama. Mas até tudo se resolver, mais alguns fios de cabelo deste escriba branquearam. A Angélica pernoitou na rua em Santiago, de quarta para quinta-feira e na manhã seguinte, não tive outra opção senão chamar o socorro da Colvin & Colvin.
Só a Angélica foi flagrada pedindo arrego. Amigos são para essas coisas, não?
Na hora de descer a moto da picape, quase quebrei a perna, pisei em falso numa escada apoiada na tampa da caçamba e prendi a perna direita no vão. Fez um buracão nos meus ligamentos, assustador. Minha sorte que não caí pro lado, senão, era uma vez o joelho do Polara....
E lá a Angélica encontrou a Nêga, na oficina. Solidária, não quis deixar a companheira só.
Angélica já na oficina. Mais tranquilo agora, Polara?
O proprietário da oficina, o Sr. Colvin, muito atencioso, nos atendeu muito cordialmente. A Angélica ficou pronta no mesmo dia, quinta-feira, e a Nêga também estava pronta, mas o Giácomo com seu retentor vazando e combalido, foi buscá-la apenas no sábado de manhã.
Ainda tivemos outras zicas menores, como no hotel, onde uma das senhoras da recepção sempre solicitava pagamento adiantado, com cara de poucos amigos e falando mais rapidamente, como que para dificultar nosso entendimento. No Patio Bellavista, tentávamos pedir uma pizza gigante, que o garçom não sabia dizer quanto custava. E cada vez que ele voltava na nossa mesa, era para informar um valor maior da pizza. Ainda bem que a Didi estava conosco, a única que falava fluentemente o espanhol, já falou pro garçom deixar de conversa fiada e parar de querer nos enrolar com a pizza. Acabamos pedindo outras coisas para comer. Outra zica foi num posto na saída de Santiago, que agora soubemos, pelas faturas do cartão de crédito, que o cartão do Polara e do Tulio foram passados duas vezes sem percebermos. 80 mil pesos pro Tulio e 90 mil pra mim. R$327,49 num abastecimento? Mas nem todas as motos juntas na minha conta!
Perrengues fazem parte de toda aventura e nos ensinam vários macetes!
Isso é um diário de viagem ou um filme de terror??? hahahaha... quanta zica!!!
ResponderExcluirpois é cara... se fosse qqer um já tinha desistido... NÉ GALERA?
ResponderExcluirhehehehe
Algumas tentativas de desistência afloraram na mente de certo integrante, mas foram eliminadas com a ajuda do grupo, né Polara?!?!
ResponderExcluirisso isso isso
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