quarta-feira, 27 de abril de 2011

Retornando de El Tatio e o Valle de La Luna

Depois de ver todas aquelas paisagens e assistir os gêiseres funcionando, era hora de retornar para a base em San Pedro de Atacama.

Basicamente estivemos dentro de um vulcão inativo onde o lençol freático é aquecido pelo magma terrestre, chegando a uma temperatua de 85°C que causa elevação de pressão e faz com que a água jorre para a superfície e surjam as colunas de vapor.
Estivemos numa das "feridas" do nosso planeta.
E o que vem das profundezas, todos sabem, vem junto com enxofre. Coisa do capeta. Quando chegamos no parque, antes do amanhecer e com aquele frio de lascar, aqueles vaporezinhos quentinhos eram tão aprazíveis, uma alento esquentar as mãos. Dava vontade até de deixar os capacetes em cima de um jato de vapor desses pra aquecer as idéias também... Vai nessa....
Já tinha decidido que iria voltar de van, junto com o Álvaro. Afinal o Sérgio e o Giácomo estavam com o combustível "pelas boas", este último já tinha mandado a torneira de combustível da Nêga para a posição de reserva antes mesmo de chegar no parque. E a culpa, segundo ele, foi minha pois meu peso fez aumentar deveras o consumo da sua XT600. Tá bom... Deixa que eu volto de van.
Nessa de andar pra lá, pra cá, tira foto, volta, vai na moto, percebemos como a altitude afeta o fôlego. E como. Eu não tinha tomado café da manhã e minha janta na noite anterior foi a base de pão líquido. Somado com o esforço para chegar no parque, as caminhadas na altitude e o cheiro tenebroso do enxofre, meu amigo... não deu outra, fique verde, azul, cor-de-burro-quando-foge.
Embarquei na van junto com o Álvaro, o guia não perdeu a oportunidade de tirar um sarrinho: "ué, o corajoso desistiu de ir de moto? que passa?" sim, desisti, tô ruim e me deixa sentar perto da janela. E aquela van veio chacoalhando, chacoalhando... tive que solicitar uma bolsa, uma sacola, para deixar fluir o gêiser que havia dentro do meu estômago. A van parou num vilarejo chamado Machuca, onde foi possível beber alguma coisa e comer um tiragosto, um pastel de queijo típico ou um espetinho de carne com tempero também típico. Fui de pastel e coca-cola. Aos poucos fui melhorando, mas não podia nem sentir o cheiro do enxofre que o embrulho dava três nós na minha barriga. E estava tudo fedendo enxofre, luvas, balaclava, a jaqueta, tudo empesteado. E a gente cogitando deixar o capacete tomar um vapor, caraca....
Enquanto isso, os três corajosos tentavam voltar. O Giácomo mal passou da saída do parque e já ficou sem combustível. O Sérgio um pouco mais abaixo, também. Sobrou pro Tulião. O Tulio foi uma verdadeira mãe. Primeiro passou um pouco de combustível pra Nêga do Giácomo ir um pouco mais, até pelo menos começar as descidas. Desceu os 90km, abasteceu a Tereza, subiu de novo, passou combustível pro Giácomo, depois pro Sérgio. Aí o Sérgio, espertão, foi empurrando a Mosquita enquanto dava, mas com a ignição ligada. E isso numa moto, significa o farol aceso. Resultado, morte da bateria. Lá vai o Tulião descer tudo de novo, ir até o hostel, pegar o kit "chupeta" das motos e subir de novo pra socorrer o Sérgio. Troféu "Boa Vontade Solidária da Viagem" para o Tulio, hors concours. O Giácomo relata também ter se perdido numa curva, enquanto ainda tinha um restinho de gasolina, o que rendeu um belo salto. Foi um dia que várias cacas poderiam ter acontecido. Graças a Deus estamos aqui.
Depois de toda essa logística com muita boa vontade praticada pelo Tulio, todos retornaram ao hostel em San Pedro. Um bom banho pra se livrar da catinga de enxofre e fomos almoçar no centrinho. Temos fotos da cidade de San Pedro de Atacama, mas estas ainda faltam ser compartilhadas com todos, para ser postas aqui mais tarde.
Final da tarde de 29 de março, ainda fomos ao Parque Valle de la Luna, com um visual maravilhoso, especialmente ao entardecer. O Sérgio cansadão passou essa, preferiu ficar dormindo. Chegamos na entrada do parque depois do pôr-do-sol e adivinhem... O parque já estava fechado para visitação. Os guias explicaram para nós que o parque é uma estrada de rípio com uns 12km de percurso, onde os visitantes vislumbram paisagens e param em diversos locais para tirar foto. A saída leva os visitantes ao outro lado do parque, já próximo à cidade. Fomos advertidos que era melhor fazer meia-volta porque as cancelas seriam todas fechadas.
Com certa decepção, fizemos a volta. O Gigi com sua Nêga, espevitado, avistou um vestígio de estrada que saía da principal e seguia pelo meio de umas encostas, num visual não por acaso, lunar. Entramos ali e fizemos mais algumas fotos. O Tulio seguiu em frente e foi tirar fotos de outro parte.
Na hora de voltar pro asfalto, uma surpresa: havia uma cancela fechada! Uma estreita passagem por cima de um monte de areia e pedra era a única salvação. Passa o Gigi e sua Nêga, passo eu e a Angélica. E o Álvaro e sua Mamuta?
Passou, com a ajuda deste que escreve e do Giácomo, mas passou tirando tinta das carenagens. Foi por muito pouco que não tivemos que largar a V-Strom para pernoitar ali.
E assim as aventuras do dia se encerraram. Retornando ao hostel, saímos mais uma vez para lanchar e voltamos para descansar, pois no dia seguinte, 30 de março, teríamos de subir novamente a Cordilheira para iniciar o retorno para casa. E dessa vez, seria a "subida mais alta" que iríamos enfrentar em toda a aventura.
Abaixo, as imagens.


Na visita aos Gêiseres, encontramos um grupo do Rio Grande do Sul, o Paulo, o Rafael e o Rogério, de Burgmann 400, uma Ninja 250 e XT 660, estavam fazendo um roteiro muito parecido com o nosso, só que no sentido inverso. Nos alertaram para ficar esperto com a falta de gasolina no Norte da Argentina e para atentar quanto à travessia andina por Paso Jama, que se enrolar demais, anoitece e tudo complica. Valeu pela dicas, irmãos, deixamos aqui nosso abraço e o link para o blog da viagem deles:






Visual do retorno



A Nêga parou sem gasolina



Sem gasolina e com um visual desolador desses...



...mais um pouco e o Giácomo ia engolir a rocha




O único da região, Rio Putana

Nessa hora o Álvaro era o único sorridente

Sim, é um saco de "conforto", usado

Parque Valle de La Luna

As XT no Valle de La Luna

Visual do alto da montanha, Valle de La Luna, by Álvaro





2 comentários:

  1. Um detalhe a respeito do retorno dos geisers. De moto, voltamos pelo mesmo caminho da vinda. Pelo menos eu e o Giacomo! O Sergio acabou voltando pelo caminho que as Vans fizeram. Na ida realmente não conseguia imaginar como carros passavam por lá! Claro, fizemos o caminho mais difícil na madrugada! Cuesta del Diablo! Paisagem indescritível. Os 70 km que fiz sozinho para buscar gasolina, foram os mais silenciosos da minha vida. Parei para mijar escrevendo meu nome na areia. Cara, o barulho do mijão caindo no chão, acho dava pra ouvir a kiloooooometros!

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  2. Cuesta del Diablo. muito bem denominado aquele caminho hehehe. boa, me ajudem a lembrar de todos esses detalhes da viagem!

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