segunda-feira, 2 de maio de 2011

O Pampa Del Infierno e a Lebre que Chorava

San Salvador de Jujuy, 31 de março de 2011, quinta-feira. Passamos a noite em um hotel no centro da cidade, bem bacana, construção antiga de pé-direito bem alto, mas reformado recentemente e muito agradável. Dormimos quase uma hora a mais, café-da-manhã variado e mais farto, tínhamos tarefas a fazer antes de prosseguir viagem. Pelo planejamento inicial, nessa etapa a parada deveria ter sido em Salta, porém tomando o caminho para a RN-16, teríamos que sair da rota e andar cerca de 60km para pernoitar no município sinônimo de Pula. 120km a mais foi a conta pensada por todos e, sabendo que Jujuy era uma cidade com uma boa estrutura, onde seria possível trocar o óleo e os pisantes das motos, resolvemos parar por ali, mas em termos de distância planejada de viagem, senão me engano ficamos um pouco antes. Para o dia seguinte a pernada seria maior. E era necessário cambiar pesos urgentemente, pois na RN-16 se tiver gasolina, é em mufunfa, não passa cartão. Ellie, a Mamuta e a Angélica precisavam de óleo novo. Então foi-se a manhã inteira e o começo da tarde até pegarmos a estrada. Trocar o óleo foi até, de certa forma, tranquilo, mas ainda sobrou óleo escorrido pela falta de experiência do atendente do Lubricentro.
A partir daqui, cabe um pequeno parêntese:
(Em Santiago, durante nossas andanças, achamos uma loja distribuidora de pneus da Michelin. E tinha o Anakee 2 dianteiro e traseiro, com um preço que, pelo conjunto dianteiro e traseiro, paga-se apenas um traseiro da Mitas no Brasil. Eu, Álvaro e o Tulio encaramos um conjunto cada um e o Giácomo e o Sérgio apenas um traseiro por cada (sem levar por trás, né pessoal).

É uma promoção, é uma promoção especial de pneu.

Tirando o escorpião, Gigi?

Cansados de ter que carregar amarrados por cima da bagagem os neumaticos, Tulio, Gigi, Sérgio e eu resolvemos nos livrar um pouco daquela bagagem e considerando o desgaste dos em uso versus estorvo dos pneus pendurados e aerodinâmica de pára-quedas, estava decidido, encontramos uma gomeria onde um rapazote meio indígena e com habilidade aparente em lidar com as motos, fez o serviço nas 4 motos e ficou bala. Deixamos os usados por lá mesmo, desconto de uma moto no serviço e estava feito, as motos calçando belos Michelin zerados.








Quase 13h, tudo pronto, vamos almoçar. Fomos num restaurante ali por perto mesmo, comida jóia para um bando de esfomeados, mas vejam bem o tamanho da ignorância desse rango:



Propício para sentir sono pilotando à tarde.... mas não havia como não prosseguir, então saímos de San Salvador de Jujuy.
Nos perdemos um pouco para sair e pegar a rodovia certa. Prosseguimos viagem, sol, calor, altitude normal e verde, rios e os insetos nas viseiras de volta. Já estava bom de aridez.
Até que, antes de pegar a RN-16, o Sérgio começou a se incomodar com a vista esquerda, devido ao uso seguido de lente de contato.
Constatamos o sofrimento do rapaz. O pequenino olho esquerdo estava inchado, vermelho e lacrimejava muito, realmente complicado pilotar daquele jeito. Paramos para abastecer em um posto logo nos primeiros 40km da RN-16, onde felizmente tinha gasolina. Demos um tempo pro Sérgio fazer compressa de água fria no para-brisa esquerdo Marcopolo Viaggio. 17h, final da tarde se aproximando (mesmo fuso do Brasil, mas lá anoitece mais tarde), o Zica resolveu que dava pra encarar mais um trecho e fomos adiante, iniciamos a travessia no Pampa Del Infierno. Deve ser porque é tipo um pântano, parece meio banhado, uma bicharada intensa, insetos ainda mais e vários trechos que vinha um fedorzaço, uma catinga braba de fossa transbordante junto com o vento. O asfalto ficou ruim e assim foi por uns 150, quase 200km.
E aquela estrada era como um poleiro infinito. Muitos pássaros ficavam na pista, a maioria tipo pombo, mas alguns maiores. Quem ia na frente ia abrindo caminho, a moto seguindo e aquela revoada a todo instante com vários atravessando na sua frente, muito perto. Preocupação em não dar uma capacetada num bicho desses, vai que complica a pilotagem. Não levamos nenhuma pombada, mas pude ver 2 delas estourando numa nuvem de penas ao baterem numa carreta no sentido contrário.
Fomos atravessando pequenas cidades, razoavelmente distantes uma das outras e estávamos apreensivos com as notícias de falta de combustível naquela região. Mas felizmente deu tudo certo. Pilotando já a noite, bem escuro, nada de luzes em lugar nenhum em vários trechos, asfalto ondulado, rodando a oitentinha no máximo, o Sérgio joga a toalha, mas com justiça, pois sua vista estava mesmo mal. Achamos um hotelzinho num posto de gasolina na beira da estrada, tinha até ar-condicionado e água quente. A cidade se chamava Taco Pozo. Bem caipira e pequena. Motos abastecidas, janta, noite pra descansar e reza pelo Sérgio, que ele não tenha conjuntivite.
Na manhã seguinte, sexta-feira, 1° de abril, o Dia da Mentira, Serjão levanta por último, cara e olho mega-inchado, um autêntico maracujá-de-gaveta. Mas estava bom, não era conjuntivite porcaria nenhuma. Era a Lebre que Chorava. Km aproximado do dia 31 : 470

3 comentários:

  1. Tá indo muito bem o blog Polarinha!
    E já que foi lembrado o assunto, como estão os pneus? Valeu a pena o investimento?
    Já pegou alguma chuva forte?
    Abraço

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  2. valeu Neto!
    mais um post e encerrarei o relato de todo o roteiro. queria colocar um mapa com o caminho que fizemos, vc me ajuda com seu GPS?
    o pneu ainda não peguei uma chuvarada da boa pra ver. mas já andei me enfiando na areia da praia e me pareceu melhor que o antigo, mais tração e estabilidade, pode ser psicológico, mas pareceu.
    já que teremos churrasco sábado, sexta a noite vou subir pra Ctba com a digníssima Angel e quem sabe terei a oportunidade de encarar uma boa chuva pra testar.

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  3. Ajudo, todavia, uma parte da rota não gravei no GPS. Até certa altura da viagem ainda não tinha descoberto essa funcionalidade. Acontece que sem gravar, o GPS mantém na tela até certa distância percorrida, depois começa a apagar pra gravar o que se vai percorrendo. Resumindo, até perto de San Pedro de Atacama vai ter que sair da memória cerebral, depois podemos usar a do GPS.

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